a nossa homenagem
a
José Augusto Mourão
dominicano português
professor universitário, poeta,
falecido a 05.05.2011

JOSÉ AUGUSTO MOURÃO

(1947-2011)

José Augusto Mourão era natural de Lordelo, Vila Real, onde nasceu a 12 de Junho de 1947.
Faleceu em Lisboa a 5 de Maio de 2011.

É um autor com um grande nome no campo da filosofia (em especail na semiótica), da teologia e da literatura.

Era dominicano, presidente do Instituto S. Tomás de Aquino e professor agregado no Departamento de Comunicação Social da Universidade Nova de Lisboa.

Com uma sabedoria de nível invulgar, os seus textos, orações e poemas são de uma profundidade que nem sempre é de fácil acesso. Mas de uma densidade que nos obrigam a ler e re-ler. A ler e a guardar, deixando ressoar as suas palavras, até que elas se transformem em música.

Será homenageado a 7 de Junho de 2011, uma merecida Homenagem da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa: Homenagem ao Homem e à Obra, em que se inclui o lançamento de Os Dominicanos em Portugal.

Eis aqui dois poemas-oração de José Augusto Mourão:


Deus, ensina ao nosso corpo
o seu caminho incerto e frágil
e a humanidade a fazer chegar
da condição humana

que viver seja habitar esse lugar
incerto e frágil da abertura,
das relações que alteram,

das mainfestações mais altas do humano,
não da violência cega e do dinheiro que faz escravos

empresta ao nosso corpo
o corpo do teu Cristo ressuscitado

que nos congrega
para as fainas do teu Reino e da Terra Prometida,
Deus que ressuscitaste Jesus dos mortos,
por quem vem o Espírito que dá a vida
e como um nó nos une
no cântico da vida diferida e na esperança.

José Augusto Mourão
Vazio Verde (1985)

 

SALMO

Cantai a seiva que sobe das raízes,
O arado do tempo cortando o nevoeiro;
Cantai a vida que sangra e incendeia,
Vós todos que lavrais a terra, tecelões e pedreiros

Entrai na força escondida do desejo,
Domadores de cavalos, aguadeiros,
Pois vossas mãos acenderam candeias
E vossos olhos alumiaram a noite

Trazei à taça da vida nova que se anuncia
Os trapos velhos das dores enterradas;
Joalheiros de dedos magoados,
Vós todos que esperais o parto das sementes

Assinalai a pedra onde caístes
E a madeira em que vos crucificaram:
Porque há música nos ritos da tortura
Que canta o dia novo que não tarda

Enquanto não sabemos o caminho,
Cantemos já o dom de caminhar;
Se estamos juntos não teremos medo:
Alguém no invisível nos espera

Plantemos flores à beira do abismo
Há-de haver no deserto um lugar de água
Alguém que nos chame pelo nome
E nos acolhe ao termo da viagem.

José Augusto Mourão
in O Nome e a Forma