
Recolhemos aquilo que nos parece ser o essencial dos discursos do papa, bem como de alguns comentários e palavras que se vão escrevendo / dizendo nestes dias:
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Palavras do Papa Na hora da despedida: votos para o futuro do país Para todos os portugueses, fiéis católicos ou não, aos homens e mulheres que aqui vivem, mesmo sem aqui terem nascido, vai a minha saudação na hora da despedida. Não cesse entre vós de crescer a concórdia, essencial para uma sólida coesão, caminho necessário para enfrentar com responsabilidade comum os desafios com que vos debateis. Continue esta gloriosa Nação a manifestar a grandeza de alma, profundo sentido de Deus, abertura solidária, pautada por princípios e valores bebidos no humanismo cristão. Papa Bento XVI, na despedida, no Aeroporto do Porto, 14.05.2010
«É necessário que um se torne connosco testemunha da ressurreição»: dizia Pedro. E o seu Sucessor actual repete a cada um de vós: Meus irmãos e irmãs, é necessário que vos torneis comigo testemunhas da ressurreição de Jesus. Na realidade, se não fordes vós as suas testemunhas no próprio ambiente, quem o será em vosso lugar? O cristão é, na Igreja e com a Igreja, um missionário de Cristo enviado ao mundo. Esta é a missão inadiável de cada comunidade eclesial: receber de Deus e oferecer ao mundo Cristo ressuscitado, para que todas as situações de definhamento e morte se transformem, pelo Espírito, em ocasiões de crescimento e vida. Para isso, em cada celebração eucarística, ouviremos mais atentamente a Palavra de Cristo e saborearemos assiduamente o Pão da sua presença. Isto fará de nós testemunhas e, mais ainda, portadores de Jesus ressuscitado no mundo, levando-O para os diversos sectores da sociedade e quantos neles vivem e trabalham, irradiando aquela «vida em abundância» (Jo, 10, 10) que Ele nos ganhou com a sua cruz e ressurreição e que sacia os mais legítimos anseios do coração humano. Papa Bento XVI, na missa na Praça dos Aliados, Porto, 14.05.2010
"os tempos que vivemos exigem um novo vigor missionário dos cristãos chamados a formar um laicado maduro, identificado com a Igreja, solidário com a complexa transformação do mundo. Há necessidade de verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos onde o silêncio da fé é mais amplo e profundo: políticos, intelectuais, profissionais da comunicação que professam e promovem uma proposta mono-cultural com menosprezo pela dimensão religiosa e contemplativa da vida. " Papa Bento XVI aos Bispos de Portugal dia 13.05.2010 em Fátima
Felizes os que crêem sem precisarem de "aparições" Mais ainda, aquela Luz no íntimo dos Pastorinhos, que provém do futuro de Deus, é a mesma que se manifestou na plenitude dos tempos e veio para todos: o Filho de Deus feito homem. Que Ele tem poder para incendiar os corações mais frios e tristes, vemo-lo nos discípulos de Emaús (cf. Lc 24, 32). Por isso a nossa esperança tem fundamento real, apoia-se num acontecimento que se coloca na história e ao mesmo tempo excede-a: é Jesus de Nazaré. E o entusiasmo que a sua sabedoria e poder salvífico suscitavam nas pessoas de então era tal que uma mulher do meio da multidão como ouvimos no Evangelho exclama: «Feliz Aquela que Te trouxe no seu ventre e Te amamentou ao seu peito». Contudo Jesus observou: «Mais felizes são os que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática» (Lc 11, 27. 28). Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor? Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração? Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé? A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo. Papa Bento XVI na missa do dia 13.05.2010 em Fátima
A Igreja e a busca da verdade "Para uma sociedade composta na sua maioria por católicos e cuja cultura foi profundamente marcada pelo cristianismo, é dramático tentar encontrar a verdade sem ser em Jesus Cristo." "A Igreja sente como sua missão prioritária, na cultura actual, manter desperta a busca da verdade e, consequentemente, de Deus; levar as pessoas a olharem para além das coisas penúltimas e porem-se à procura das últimas. Convido-vos a aprofundar o conhecimento de Deus tal como Ele Se revelou em Jesus Cristo para a nossa total realização. Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza.". Papa Bento XVI aos representantes do mundo da cultura e da arte, em Lisboa, 12.5.2010
" é preciso voltar a anunciar com vigor e alegria o acontecimento da morte e ressurreição de Cristo, coração do cristianismo, fulcro e sustentáculo da nossa fé, alavanca poderosa das nossas certezas, vento impetuoso que varre qualquer medo e indecisão, qualquer dúvida e cálculo humano. A ressurreição de Cristo assegura-nos que nenhuma força adversa poderá jamais destruir a Igreja. Portanto a nossa fé tem fundamento, mas é preciso que esta fé se torne vida em cada um de nós." Bento XVI na missa do Terreiro do Paço, Lisboa, 11.05.2010
"A viragem republicana, operada há cem anos em Portugal, abriu, na distinção entre Igreja e Estado, um espaço novo de liberdade para a Igreja, que as duas Concordatas de 1940 e 2004 formalizariam, em contextos culturais e perspectivas eclesiais bem demarcados por rápida mudança. Os sofrimentos causados pelas mutações foram enfrentados geralmente com coragem. Viver na pluralidade de sistemas de valores e de quadros éticos exige uma viagem ao centro de si mesmo e ao cerne do cristianismo para reforçar a qualidade do testemunho até à santidade, inventar caminhos de missão até à radicalidade do martírio." Papa Bento XVI, na sua chegada a Lisboa, 11.05.2010 |
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Comentários Um recuo no tempo: Latim e gestos antigos na missa de Fátima Adepto do uso do latim mais frequente, o Papa Bento XVI já utilizou várias vezes a língua oficial da Igreja durante estes dias da sua viagem a Portugal. As duas missas de multidão até agora celebradas - dia 11 à tarde, em Lisboa, e ontem de manhã, em Fátima, foram dois desses momentos. A chamada "oração eucarística" - o momento da missa em que o celebrante consagra o pão e o vinho - foi rezada em latim. "Por vezes já tenho que pensar duas vezes para perceber em que momento se está", dizia ao PÚBLICO um padre que assistia ontem, em Fátima, à celebração da missa, no momento em que se rezava a oração eucarística. "Já há três gerações de padres que sabem pouco latim e as outras pessoas não percebem nada do que se está a dizer, não participando da mesma maneira", acrescentou a mesma fonte. Noutros tempos, em
que o latim era mais usado, fazia sentido, numa missa internacional como
a do santuário de Fátima, utilizar essa língua, acrescentava.
E o mesmo padre sugeria: era preferível utilizar diferentes línguas
para diferentes momentos A homilia do Papa em Fátima Muito importante
esta homilia. Com três pontos fundamentais: 2.º A interpretação mística das "aparições" de Fátima. A revelação não cai do Céu. Do que se trata é de dar-se conta do mais profundo e íntimo, pois, como diz Santo Agostinho, Deus é mais íntimo do que a minha intimidade mais íntima. Deus não vem "de fora". É transcendente, mas na imanência mais radical. O que se passou em Fátima tem a ver com uma profunda experiência religiosa de crianças, no contexto sociocultural da altura. 3.º A mística
autêntica não implica fenómenos extraordinários,
como levitações, aparições, etc., mas este
dar-se conta, no mais profundo do coração humano e de toda
a realidade, do Deus vivo. Quem descobre Deus descobre o fundamento da
esperança e age em consequência: abandona o altar do egoísmo
e abre-se à solidariedade e à luta pela justiça universal.
Nestes momentos,
os homens precisam de quem traga uma mensagem de esperança à
sua sede de justiça e de solidariedade, Presidente Cavaco Silva, à chegada do Papa, 11.05.2010
O direito à festa Houve festa no domingo,
era previsível, por causa do futebol. Voltará a haver hoje,
por causa do Papa. Ainda bem: a festa é uma dimensão importante
da existência. Mesmo se um certo discurso dominante quer negar,
pelo menos a quem faz a festa em nome da sua fé, esse direito.
Há um novo discurso inquisitorial que, hoje, se volta muitas vezes
contra quem crê. António Marujo,
in o Público 11.05.2010
Boas-vindas ao Papa A vinda do Bispo de Roma, com responsabilidade colegial pela situação das comunidades católicas de todo o mundo, deveria servir para um encontro dos católicos portugueses, nas suas diversas tendências, com as questões que agitam a cristandade e a forma como são vividas em Portugal. Se o Papa deve ter muito que dizer, também deve ter muito que ouvir. De outra forma, não haverá encontro. Frei
Bento Domigues
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