Tomé
Tomé renuncia
a verificar o que que seja. Já não sente necesside de
provas. Só experimenta a presença do Mestre que o ama,
o atrai e o convida a confiar. Tomé, o discípulo que fez
o percurso mais largo e laborioso que ninguém até encontrar-se
com Jesus, chega mais longe que ninguém na profundidade da sua
fé: "Meu Senhor e meu Deus!". Ninguém confessou
Jesus deste modo.
Não temos de assustar-nos ao sentir que de nós saiem dúvidas
e interrogações. As dúvidas, vividas de maneira
sã, salvam-nos de uma fé superficial que se contenta em
repetir fórmulas, sem crescer na confiança e no amor.
As dúvidas estimulam-nos a ir até ao fim na nossa confiança
no Mistério de Deus encarnado em Jesus.
José
Antonio Pagola
15 de abril de 2012
2º Pascoa (B)
João 20, 19-31
Texto completo em http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php
Páscoa:
Mistério de esperança
Crer no Ressuscitado
é resistir a aceitar que a nossa vida seja só um pequeno
parêntesis entre dois imensos vazios. Apoiando-nos em Jesus ressusciatdo
por Deus, intuimos, desejamos e cremos que Deus está a conduzir
para a sua verdadeira plenitude o anseio de vida, de justiça
e de paz que se encerra no coração da humanidade e na
criação inteira. (...)
Crer no Ressuscitado
é confiar que os nossos esforços por um mundo mais humano
e feliz não se perderão no vazio. (...)
Nada se perderá
do que vivemos com amor ou daquilo a que renunciamos por amor. (...)
José
Antonio Pagola
Comentário ao domingo de Ressurreição (B)
João 20, 1-9
Texto completo
em http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php/2012/04/02/p313186
Quinta-feira
Santa: memória que compromete
"Em todas
as celebrações da Eucaristia, quem preside, depois de
evocar os gestos e as palavras de Cristo na última Ceia - que
mostram uma vida de impressionante entrega a Deus para a alegria de
todos -, retoma um misterioso apelo: "Fazei isto em memória
de mim."
Sem entrar agora na teologia do "memorial" bíblico,
retenho apenas uma evidência: os cristãos celebram a Eucaristia
para não se perderem de Cristo, das suas opções,
da sua mensagem, da sua intervenção, e para não
atraiçoarem o sentido paradoxal que Ele deu à sua condenação
morte: "Congregar todos os filhos de Deus dispersos" (Jo.
11, 52).
Uma igreja que abandonasse a Eucaristia corria o risco de perder a memória
subversiva da Cruz de Cristo.
Mas quem celebra a Eucaristia sem a vontade de subverter as idolatrias
que comandam o mundo actual atraiçoa a sua própria essência."
Frei Bento Domingues
in O PÚBLICO 4.04.2004
Domingo de Ramos
No pátio do sumo-sacerdote, uma criada disse a Pedro: "Tu
também estavas com o Nazareno!" (Mc 14,67)
O
que te atraiçoa
Tu também és
uns desses
que andam com Jesus.
A tua línguagem atraiçoa-te
o teu sorriso
a facilidade com que tu
te pões a sonhar o impossível,
te pões a dizer o inexprimível
e te pões a fazer coisas fora do comum.
Mas também essa
mania
de te empenhares
de ajudares outros.
O teu amor à verdade,
a tua inquietação
quando alguém precisa,
a tua fome e sede
de justiça.
Esta confiança inexplicável,
que te suporta, a paz
que irradia de ti.
Como quando vês
os que os simples mortais
não vêem
não vêem nem imaginam !
Lothar Zenetti
NATAL
2011
Anuncio-vos uma
grande alegria:
Nasceu-vos HOJE um salvador!
- assim anunciaram os anjos o nascimento de Jesus aos pastores de Belém,
no meio da noite.
HOJE
S. Lucas faz questão de sublinhar este HOJE: fá-lo várias
vezes ao longo do seu Evangelho: "Hoje cumpriu-se esta palavra
da Escritura"; "hoje entrou a salvação nesta
casa"; "hoje mesmo estarás comigo no paraíso"....
É o hoje de Deus, um hoje sem tempo, sem risco de se tornar passado,
porque Deus é Javé, Aquele que é.
Este HOJE da salvação chega HOJE aqui ao meio de nós;
a luz que os invadiu naquela noite é a luz que invade as nossas
almas HOJE e aqui; a alegria anunciada aos pastores torna-se HOJE a
nossa alegria...
Que alegria
é esta?
È a alegria de sabermos na fé, de acreditarmos, que Deus
veio habitar no meio de nós. O nosso Deus não é
o Deus distante: Ele vem meter-se na nossa vida, tornando-se um de nós
- vem percorrer os caminhos do nosso mundo, fazendo deles caminhos de
salvação.
A salvação veio ao nosso encontro. É-nos dada!
Está no meio de nós! É-nos dada num menino frágil
- esta é lógica de Deus - que não se impõe,
por qualquer tipo de poder, mas se oferece, para ser acolhido.
É alegria
de sentirmos neste Menino de Belém quanto Deus nos ama,: "Glória
a Deus nas alturas e paz na Terra às pessoas, que Deus ama"!
Os primeiros a
receber esta alegre notícia foram os pastores: e também
aqui há uma mensagem de Natal:
Não foi aos grandes e poderosos de Roma e de Jerusalém
que Deus se dirigiu...
Não foi aos sacerdotes e aos bem-comportados daquele tempo, àqueles
a quem a relgião considerava salvos, aos que cumpriam todas as
leis religiosas e morais, não foi a eles que Deus se dirigiu...
Nem foi aos habitantes da cidade, conformados e satisfeitos com o seu
relativo bem estar...
FOI AOS PASTORES,
gente marginal, considerada primitiva, suspeitos aos olhos dos representantes
da lei e da religião
- foi a eles que Deus anunciou a notícia alegre do nascimento
do Salvador.
Se nós, os que estamos aqui, nos sentimos tantas vezes do lado
destes pastores, na consciência das nossas fraquezas e falhas,
alegremo-nos HOJE ! É a nós que Deus se dirige: "Não
temais... encontrareis um Menino..."
Era bom que todas
as pessoas do nosso tempo ouvissem este convite de Deus, que alegra
a vida. A começar por aqueles e aquelas que se sentem marginalizados/as
pela instituições e pela Igreja.... aqueles e aquelas
cujas vidas nem sempre correm conformes às regras e às
leis. Era bom que a eles/elas chegasse HOJE a mensagem que chegou aos
pastores...
E também aos têm medo do futuro. Nos nossos dias, fala-se
tanto de crise. Vivemos tempos inseguros, incertos... os especialistas
e entendidos da economia e da política mostram um certo nervosismo.
Muitos sentem já esta crise, no seu dia a dia: os mais pobres,
os desempregados a longo prazo, os dependenetes das instituições
sociais... Tempos duros....
Quase que podíamos dizer como no tempo de Isaías: o povo
que andava na escuridão, os que viviam na sombra... na escuridão
da noite... É a esses que Isaías reanima na esperança,
anunciando a salvação, com a imagem da luz que a todos
ilumina, com a chegada de tempos de paz, de confiança, de fraternidade.
Celebrar o Natal
para nós HOJE é acreditar que Deus já está
no meio de nós, sem nós o merecermos, é verdade
- nós somos como os pastores! - que Ele vem iluminar, Ele quer
iluminar, com a Sua luz a nossa vida. Vem com o seu amor que é
maior que todas as nossas fraquezas. Dá-nos a salvação
como prenda!
Deixemos de lado as divisões, as guerras, os egoísmos
interesseiros.. Tornemo-nos solidários. Ultrapassemos os medos
do futuro, confiando a nossa vida a este Deus, como o fez Jesus de Nazaré,
este menino, cujo nascimento hoje celebramos!
Alegremo-nos HOJE, uns aos outros e uns com os outros, porque é
Natal.
JN
Meditação na noite de Natal 2011
O
Deus do convite
Segundo a parábola
do Evangelho, Deus está a preparar uma festa final para todos
os seus filhos e filhas, pois a todos quer ver sentados à volta
da mesma mesa, desfrutando para sempre de uma vida plena. Esta é
uma das imagens mais queridas de Jesus para sugerir como será
o fim da história humana.
Diante de tantas
imagens mesquinhas de um Deus controlador e justiceiro que impede a
muitos de saborear a fé e desfrutar da vida, Jesus introduz no
mundo a experiência de um Deus que nos convida a partilhar com
Ele uma festa fraterna, na qual culminarão o melhor dos nossos
esforços, anseios e aspirações.
José Antonio
Pagola
9 de outubro de 2011
28 Tiempo ordinario (A)
Mateus 22, 1-14
Texto completo (em castelhano):
http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php/2011/10/03/p302844#more302844
"Coragem!
Sou eu!"
S. Mateus recolheu
a lembrança de uma tempestade vivida pelos discípulos
no mar da Galileia para convidar os seus leitores a escutar, no meio
das crises e dos conflitos que se vivem nas comunidades cristãs,
o apelo de Jesus a confiar n`Ele.
(...) Quando Jesus se aproxima, caminhando sobre as águas, os
discípulos não o reconhecem e, aterrados, começam
a gritar, cheios de medo. O Evangelista faz questão de assinalar
que o medo deles não era provocado pela tempestade, mas sim pela
incapacidade de descobrir a presença de Jesus no meio da crise
e de escutar o seu grito: "Coragem, sou eu, não tenhais
medo!"
José
Antonio Pagola
7 de agosto de 2011
19º domingo comum (A)
Mateus14, 22-33
Texto completo
(em castelhano):
http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php/2011/08/01/p299799#more299799
Pentecostes
Redescobrir
o Essencial
Será legítimo
chamar "Contra-Reforma" a um conjunto de manifestações
clerocratas e devocionais que se julgava, definitivamente, abandonadas
depois do Vaticano II? Não sei, mas pelo que me é dado
observar, impõe-se, com urgência, tentar redescobrir o
essencial do cristianismo para que a acção pastoral da
Igreja não troque o principal pelo secundário. Para esse
debate será importante convocar a posição radical
de S. Tomás de Aquino . Segundo este grande filósofo e
teólogo dominicano, a lei nova, isto é, o próprio
Evangelho, é uma lei inscrita no coração. Toda
a realidade existe e se define pelo que, nela, é o valor supremo;
ora, o que na lei da nova aliança é o valor supremo, aquilo
em que consiste todo o seu poder, é a graça do Espírito
Santo dada pela fé em Cristo. É infundida no coração
como inclinação de amor e fonte de liberdade. Tudo o resto
é secundário, isto é, só pode servir para
secundar, preparar e exprimir essa libertação.
Carregar os fiéis
com códigos, prescrições e proibições
é contrariar essa lei nova. Sem esse Espírito, até
a própria letra do Novo Testamento mata. Tomás de Aquino
vai ao ponto de dizer que quem evita o mal, não porque é
mal, mas por causa do mandamento de Deus, não é livre;
mas aquele que evita o mal porque é mal, esse é livre
e é isso que é realizado pelo Espírito Santo, aperfeiçoando,
interiormente, o ser humano.
Frei Bento Domingues,
in O PÚBLICO, Lisboa, 12.06.2011
(Extracto)
Pentecostes
Segundo S. João,
o Espírito torna presente Jesus na Comunidade Cristã,
recordando-nos a sua mensagem, fazendo-nos caminhar na sua verdade,
interiorizando em nós o seu mandamento do amor. É esse
Espírito que nós invocamos na Festa do Pentecostes.
Vem, Espírito
Santo,
e ensina-nos a invocar a Deus com esse nome de "Pai", que
Jesus nos ensinou. (...)
Vem, Espírito
Santo, e faz-nos caminhar na verdade de Jesus. Sem a tua luz e o
teu alento esqueceremos com frequência o seu projecto do Reino
de Deus. Viveremos sem paixão e sem esperança. (...)
Vem, Espírito
Santo, e ensina-nos a anunciar a Boa Nova de Jesus. Que não
lancemos cargas pesadas sobre ninguém. Que não ditemos
sobre problemas que não nos doem, nem condenemos a quem necessita
sobretudo de acolhimento e de compreensão. Que nunca quebremos
a cana rachada nem apaguemos a torcida que fumega.
Vem, Espírito
Santo, e infunde em nós a experiência religiosa de
Jesus. Que não percamos tempo em trivialidades enquanto esquecemos
a justiça, a misericórdia e a fé.(...)
Vem, Espírito
Santo, e aumenta a nossa fé para experimentarmos a força
de Jesus no centro de nós mesmos e da nossa debilidade. (...)
Vem, Espírito
Santo, transforma os nossos corações e converte-nos
a Jesus. Se cada um de nós não mudar, nada mudará
na sua Igreja. (...)
Vem, Espírito
Santo, e defende-nos do risco de esquecer Jesus. Tolhidos pelos
nossos medos e incertezas, não somos capazes de escutar a sua
voz nem de sentir o seu alento. Desperta a nossa adesão, pois,
se perdermos o contacto com ele, aumentará em nós o nervosismo
e a insegurança.
José
Antonio Pagola
12 de junho de 2011
Pentecostes (A)
Texto do Evangelho: João 20,19-23
Texto completo
(em castelhano): http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php/2011/06/06/p296694#more296694
Novo começo
O evangelista João
descreve de maneira insuperável a transformação
que se produz nos discípulos, quando Jesus, cheio de vida, se
apresenta no meio deles. O Ressuscitado está de novo no centro
da sua comunidade de seguidores. Assim há-de ser para sempre.
Com Ele, tudo é possível: libertar-se do medo, abrir as
portas e pôr em andamento a evangelização.
Segundo o relato,
a primeira coisa que Jesus passa à sua comunidade é a
sua paz. Nada de crítica por o ter abandonado, nenhuma queixa,
nenhuma reprovação. Só paz e alegria. Os discípulos
sentem o seu alento creador. Tudo começa de novo. Impulsionados
pelo Espírito, continuarão a colaborar ao longo dos séculos
no mesmo projeto salvador que o Pai encomendou a Jesus.
O que necessita a Igreja de hoje não são só reformas
religiosas e apelos à comunhão. Necessitamos de experimentar
nas nossas comunidades um "novo começo" a partir da
presença viva de Jesus no meio de nós. Só Ele há-de
ocupar o centro da Igreja. Só Ele pode fazer avançar a
comunhão. Só Ele pode renovar os nossos corações.
Jose Antonio
Pagola
01 de maio de 2011
2º Domingo da Páscoa (A)
João 20, 19-31
texto completo
(em castelhano) em : http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php/2011/04/25/p294128#more294128
Jesus tinha
razão!
Que
sentimos, nós os seguidores de Jesus quando nos atrevemos a crer
de verdade que Deus ressuscitou Jesus? Que vivemos nós que continuamos
a seguir os seus passos? Como nos comunicamos com Ele quando o experimentamos
cheio de vida?
Jesus
ressuscitado, Tu tinhas razão.
É verdade quanto nos disseste de Deus.
Agora sabemos que é um Pai fiel digno de toda a confiança.
Um Deus que nos ama para além da morte: (...)
Que Ele é amigo da vida (...)
Que Ele faz justiça a todas as vítimas e inocentes: faz
triunfar a vida sobre a morte, o bem sobre o mal, a verdade sobre a
mentira, o amor sobre o ódio.(...)
Que Ele se identifica com os crucificados (...)
Jose Antonio
Pagola
24 de abril de 2011
Domingo de Resurreição (A)
João 20, 1-9
Senhor Jesus
Minha força
e meu fracasso
És Tu.
Minha herança e minha pobreza,
Tu minha justiça,
Jesus.
Minha guerra
e minha paz
Minha livre liberdade.
Minha morte e minha vida,
Tu.
Palavra de meus gritos.
Silêncio da minha espera.
Testemunha de meus sonhos.
Cruz da minha Cruz.
Causa da minha
amargura
Perdão do meu egoísmo,
Crime do meu processo,
Juiz do meu pobre pranto,
Razão da minha esperança,
Tu !
Minha Terra prometida
És Tu...
A Páscoa
da minha Páscoa,
nossa glória para sempre
Senhor Jesus !
Pedro Casaldaliga
Bispo
Escândalo
e loucura
Os primeiros cristãos
sabiam-no bem. A sua fé num Deus crucificado só poderia
ser considerada como como um escândalo e uma loucura. (..) Nessa
vítima inocente, os seguidores de Jesus vemos um Deus identificado
com todas as vítimas de todos os tempos.
Despojado de todo
o poder dominador, de toda a beleza estética, de todo o êxito
político e de toda a auréola religiosa, Deus revela-se-nos
no mais puro e insondável do seu mistério como amor e
só amor. Não existe nem nunca existirá um Deus
frio, apático e indiferente. Só um Deus que padece connosco,
sofre os nossos sofrimentos e morre a nossa morte.
Este Deus crucificado
não é um Deus poderoso e controlador, que procura
submeter os seus filhos e filhas buscando sempre a sua glória
e honra. É um Deus humilde e paciente, que respeita até
ao fim a liberdade do ser humano, ainda que nós abusemos frequentemente
do seu amor. Prefere ser vítima das criaturas a ser o seu verdugo.
Este Deus crucificado não é o Deus justiceiro, ressentido
e vingativo que continua a perturbar a consciência de não
poucos crentes. Na Cruz, Deus não responde ao mal com o mal.
(...) Enquanto nós falamos de méritos, culpas ou direitos
adquiridos, Deus acolhe-nos a todos com o seu amor insondável,
com o seu perdão.
Este Deus crucificado revela-se hoje em todas as vítimas inocentes.
Está na cruz do calvário e em todas as cruzes onde sofrem
e morrem os mais inocentes...
Nós os cristãos continuamos a celebrar o Deus crucificado
para não esquecer nunca o amor louco de Deus para com a Humanidade
e para manter viva a memória de todos os crucificados (...)
José
Antonio Pagola
no seu blog http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php/2011/04/11/p293218#more293218
Domingo de Ramos (A) Mateus 26, 14-27,66 (17 de abril de 2011)
4º Domingo
da Quaresma
Evangelho da cura do cego de nascença, João 9,1-41
Caminhos para
a fé
Quando Jesus se
encontra com aquele homem que parece nada entender (do que está
a acontecer), só lhe faz uma pergunta: "Crês no Filho
do Homem?" Crês no Homem Novo, o Homem plenamente humano
precisamente por ser a expressão e a incarnação
do mistério insondável de Deus? O mendigo está
disposto a crer, mas encontra-se mais cego que nunca: "E quem é,
Senhor, para que eu creia nele?"
Jesus diz-lhe:
"Estás a vê-lo, é quem está a falar
contigo". Ao cego abrem-se-lhe os olhos da alma. Prostra-se diante
de Jesus e diz-lhe: "Creio, Senhor!" Só escutando
Jesus e deixando-nos conduzir interiormente por ele, vamos caminhando
para uma fé mais plena e também mais humilde.
José
António Pagola
Texto completo (castelhano) em http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php/2011/03/28/p292300#more292300
3º Domingo
da Quaresma
Evangelho: João 4,5-42

A Sede e os
nossos cocktails...
Talvez a mais positiva
de todas as perspectivas sobre o ser humano seja esta: a vida é
sede.
Sede de amar
e ser amado.
Sede de ser reconhecido naquilo que se é.
Sede de ser feliz.
Sede de infinito.
Sede de Vida.
Esta sede tão profundamente humana que se esconde dentro de nós
sente-se na inquietação que nos habita e nos leva a por
em causa as respostas que ontem nos pareciam correctas e hoje não
nos convencem; na nossa procura constante de "mais", de mais
longe, de mais alto;
na nossa procura insaciável da "novidade" a todo o
custo;
na nossa insatisfação com o que somos e temos, de que
a sociedade de consumo tanto aproveita;
nas nossas tentativas permanentes de "concretizar" a felicidade
nesta ou naquela pessoa, nesta ou naquela relação, apesar
de sabermos que nenhuma relação é perfeita;
nas misturas que vamos fazendo para matar a nossa sede, "misturando"
o ser com o ter; o amor com o prazer egoísta; o ser reconhecido
autenticamente com o dar nas vistas das aparências... espécie
de "cocktails" complicados, em que os sabores se misturam...
mas que não matam a sede, apenas a disfarçam.
Este terceiro domingo da Quaresma apresenta-nos toda esta sede personalizada
na figura de uma mulher: a samaritana junto ao poço de Jacob.
Jesus leva a sério a sede daquela mulher, e chama-lhe a atenção
que a sede de infinito só pelo Infinito pode ser saciada.
Se tivermos consciência disto, viveremos as manifestações
de sede que dia a dia nos acompanham como apelos de Infinito.
Preparemos então os nossos "cocktails" para "saborear"
a "sede", e não para apagá-la nem para enganá-la.Caminharemos
para a Fonte da Água Viva, na medida em que vamos experimentando
os limites das nossas "cisternas".
(JN)
2º Domingo
da Quaresma
Evangelho da Transfiguração: Mateus 17,1-9
"Nietzsche
acusava os cristãos de andarem sempre com cara de sexta-feira
santa. Para que a Igreja não se torne uma tristeza, tem de se
lembrar que, segundo S. João, na revelação de Jesus
Cristo, tudo é para que a nossa alegria seja completa, na transfiguração
do quotidiano."
Frei Bento Domingues, em O PÚBLICO, 20.03.2011
Transfiguração
e Fukushima
"Uma nuvem
luminosa os cobriu com a sua sombra
e da núvem uma voz dizia:
este é o meu filho muito amado" (Mt 17,5)
Da núvem
que nos esconde e nos revela Deus
há poucos sinais no céu pouca luz
e poucas testemunhas seguras na terra
A ela se dirige a nossa oração interrogação
Uma outra núvem
nos preocupa nestes dias:
Essa núvem-sombra de particulas radioactivas
que sobe de Fukushima
e ameaça o povo do Japão e o mundo
Mas havemos de
continuar a acreditar em Deus
este Deus que diz à humanidade ameaçada
sois os meus filhos bem amados
conheço a vossa angústia escuto a vossa oração
trabalhai comigo no mundo em transfiguração
jn
18.03.2011
Estás
cercado de ti, por todos os lados
Para
te livrares de ti mesmo
lança uma ponte
por cima do abismo de solidão
que o teu egoísmo criou.
Trata
de ver, além de ti.
Busca ouvir alguém.
E, sobretudo,
tenta o esforço de amar
ao invés de simplesmente te amares
D.
Hélder Câmara
1º domingo
da Quaresma (13 de Março 2011)
Tentações
Não foi
nada fácil para Jesus manter-se fiel a missão recebida
do seu Pai, sem desviar-se da Sua vontade. Os evangelhos recordam
a sua luta interior e as provas que teve que superar, junto com os discípulos,
ao longo da sua vida. (...)
O episódio conhecido como "as tentações de
Jesus" é um relato em que se reúnem e resumem as
tentações que Jesus teve de superar. Ainda que movido
pelo Espírito recebido no Jordão, nada o dispensa de se
sentir atraído por caminhos de um falso messianismo.
Deve escutar o seu próprio interesse ou escutar a vontade do
Pai? Deve impor o sue poder de Messias ou colocar-se ao serviço
do que necessitam? Deve procurar a sua própria glória,
ou manifestar a compaixão de Deus para com os que sofrem? Há
que evitar riscos e fugir à cruz, ou entregar-se à sua
missão, confiando no Pai?
O relato das tentações de Jesus foi recolhido nos evangelhos
para alertar os seus seguidores. Temos de ser lúcidos. O Espírito
de Jesus está vivo na sua Igreja, mas nós os cristãos
não estamos livres de vir a falsear uma e outra vez a nossa identidade,
caindo em múltiplas tentações.
José
Antonio Pagola
Mateus 4, 1-11
Texto completo
em http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php/2011/03/07/p290855#more290855
9º domingo
comum A (6 de março de 2011)
A força do Evangelho
Mateus conclui
o grande discurso de Jesus sobre a montanha da Galileia com duas breves
parábolas, narradas com mestria e para todos fáceis de
recordar. A sua mensagem é decisiva: seguir Jesus consiste em
"escutar as suas palavras" e "pô-las
em prática". Se não fazemos isto, o nosso cristianismo
é uma insensatez. (...)
Na consciência moderna produziu-se uma mudança cultural
profunda, que está a por em crise o despertar e a vivência
da fé cristã. Cada vez mais é difícil despertar
uma fé viva em Deus e em Jesus Cristo pela via do "doutrinamento".
Por duas razões:
Por um lado está em crise a autoridade, toda a autoridade. É
difícil que a fé hoje brote de uma obediência a
uma autoridade religiosa que se apresente como possuidora da verdade.
(...)
Por outro lado, mais do que uma doutrina religiosa, as pessoas buscam
uma experiência que as ajude a viver a vida com sentido e esperança.
Muitos homens e mulheres distanciam-se assim quase instintivamente de
qualquer iniciação à fé entendida como "processo
de aprendizagem"
Temos de acreditar muito mais na força transformadora do Evangelho.
As palavras de Jesus têm mais poder do que as nossas doutrinas.
A sua Boa Notícia é mais atraente do que todos os nossos
sermões. Não terá chegado o momento de formar grupos,
criar espaços, possibilitar encontros em que as pessoas de hoje
tenham oportunidade de entrar em contacto directo com o Evangelho para
escutar Jesus e descobrir juntos a sua Boa Notícia?
Muitos dos que se sentem perdidos e vivem sem esperança poderiam
descobrir com alegria que não estão sós, que podem
confiar num Deus Pai e que podem viver com a esperança de Jesus.
É o que eles mais precisam.
José
Antonio Pagola
9º domingo comum (A)
Mateus 7, 21-27
Texto
completo (castelhano) em: http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php
Jesus
e o desejo
Por
que será que Jesus põe Deus e o dinheiro em concorrência?
Por uma razão muito simples: a sacralização do
dinheiro e do seu império é uma idolatria. Faz dele o
absoluto critério de tudo. É preciso sacrificar-lhe tudo
e todos os valores. O rico nunca pensa que é suficientemente
rico e o pobre ou remediado o que deseja é ser rico. A publicidade
incendeia a insatisfação, o desejo, para nos tornar infelizes
se não tivermos tudo, e já, que ela nos propõe.
Jesus Cristo não
vê no desejo um mal nem propõe o esvaziamento do desejo
como suprema iluminação. Propõe a conversão
do desejo: onde tiveres o teu tesouro, aí estará o teu
coração. Zaqueu, o rico, percebeu isso rapidamente. Passou
a restituir o roubo, a nunca mais se aproveitar das necessidades dos
outros e a partilhar os seus bens. Jesus comentou: "A salvação
entrou na tua casa", o que não tinha acontecido na parábola
do jovem rico.
Não há
rivalidade entre Deus e a riqueza. Há rivalidade entre a Plenitude
da Vida e a distorção do desejo que se deixa possuir pelo
fascínio do dinheiro e de tudo o que ele exige e permite.
Fr. Bento Domingues,
in "Público", 27.02.2011
8º domingo
comum A (27 de fevereiro de 2011)
Acima de tudo
"Acima
de tudo procurai o Reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais
vos será dado por acréscimo". As palavras de Jesus
não podem ser mais claras. A primeira coisa que temos de procurar,
nós os seus seguidores, é o "reino de Deus e a sua
justiça", o resto vem depois. Vivemos, nós os
cristãos, preocupados em construir um mundo mais humano, tal
como Deus o quer, ou estamos a gastar as nossas energias em coisas secundárias
e acidentais?
É uma questão
importante. É decisivo saber se estamos a ser fiéis
ao objectivo prioritário marcado por Jesus, ou se estamos
a desenvolver uma religiosidade que nos desvia da paixão que
ele trazia no seu coração. Não teremos talvez de
corrigir o rumo e centrar o nosso cristianismo com mais fidelidade no
projecto do Reino de Deus?
José
Antonio Pagola
Mateus 6, 24-34
Texto
completo (castelhano) em: http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php
7º
domingo comum A
Amar a quem nos faz mal
O
chamamento ao amor é sedutor. Seguramente, muitos escutavam com
agrado o convite de Jesus a viver numa atitude aberta de amizade e generosiddade
para com todos. O que menos esperavam era ouvi-lo falar do amor aos
inimigos. Só um louco lhes podia dizer com aquela convicção
algo tão absurdo e impensável: "Amai os vossos inimigos,
rezai pelos que vos perseguem, perdoai setenta vezes sete...."
Será que Jesus sabe o que está a dizer? É mesmo
isso que Deus quer?
Jesus
não fala por acaso. O seu convite nasce da sua experiência
de Deus. O Pai de todos não é violento mas sim compassivo.
Não procura a vingança nem conhece o ódio. O Seu
amor é incondicional para com todos: "Ele faz nascer o sol
sobre os bons e sobre os maus, manda a chuva a justos e insjutos".
Não discrimina ninguém. Não ama só os que
lhe são fiéis. O Seu amor está aberto a todos.
Este
Deus que não exclui ninguém do seu amor nos há-de
atrair a viver como Ele. Esta é a síntese do chamamento
de Jesus. (...)
Jesus não está a pensar que lhes queiramos com o afecto
que sentimos para com os nossos mais queridos. Amar os inimigos é,
simplesmente, não nos vingarmos, não lhes fazer mal, não
lhes desejar mal. (...)
José
Antonio Pagola
20.02.2011
Texto do Evangelho: Mateus 5, 38-48
Texto completo (castelhano) em: http://blogs.periodistadigital.com/buenas-noticias.php/2011/02/14/p289473#more289473
6º
domingo comum A
O cumprimento da Lei e o Amor de Deus
Quando
se procura a vontade do Pai com a paixão com que o faz o próprio
Jesus, vai-se sempre mais além do que aquilo que dizem as leis.
Para caminhar para esse mundo mais humano que Deus quer para todos,
o importante não é contar com pessoas que observam leis,
mas sim com mulheres e homens que se pareçam com ele.
Aquele que não mata, cumpre a Lei, mas se não arranca
do seu coração a agressividade para com o irmão,
não se parece com Deus. Aquele que não comete adultério,
cumpre a Lei, mas se deseja egoisticamente a esposa do seu irmão,
não se parece com Deus. Nestas pessoas reina a Lei, mas não
Deus; são cumpridores, mas não sabem amar; vivem correctamente,
mas não construirão um mundo mais humano.
Jose
Antonio Pagola
comentário para o VI Domingo Comum A
13.02.2011
Texto do Evangelho: Mt 5, 17-37